EXTRA: A extrema direita no trabalho. Trabalho, sindicalismo e relação com o político na França e no Brasil.

Projeto coordenado por Rémy Ponge (Universidade Aix-Marseille e IRL2034 Mondes en transition), selecionado no âmbito da chamada Jeunes Chercheurs et Jeunes Chercheuses (JCJC) 2025 da ANR

Resumo do projeto

Tanto no Brasil quanto na França, os últimos 20 anos foram marcados por uma forte progressão da extrema direita, mas também por profundas transformações no mundo do trabalho (precariedade, “uberização”, degradação das condições de trabalho, etc.) e no sindicalismo (enfraquecimento dos direitos sindicais, declínio do número de filiados, profissionalização e tecnocratização dos sindicatos). Historicamente, o sindicalismo alimentou o voto em partidos de esquerda nos dois países e desempenhou um papel importante na socialização política de amplos setores do proletariado. No campo político, também observamos mudanças significativas: explosão da abstenção em países onde o voto não é obrigatório, desmobilização eleitoral das classes populares, enfraquecimento dos partidos políticos tradicionais e avanço eleitoral de partidos conservadores e de extrema direita.

Apesar do renovado interesse da sociologia e da ciência política pelos efeitos políticos do trabalho, essas dimensões permanecem pouco estudadas e frequentemente figuram apenas como pano de fundo nas pesquisas sobre a extrema direita e as transformações da relação com a política. O projeto de pesquisa EXTRA parte da hipótese de que não é possível separar a análise das mutações políticas das transformações do trabalho e do sindicalismo. Pensar essas dimensões em conjunto permitirá iluminar, de maneira inovadora, as profundas mudanças sociais que vivenciamos. Quais são as relações entre essas transformações e o avanço da extrema direita na França e no Brasil? Em que medida certas formas de organização do trabalho e do emprego tornam mais provável a adesão aos discursos da extrema direita? Como o racismo pode se construir, se fortalecer ou se banalizar nas interações profissionais do cotidiano? E, diante dessas evoluções, que papel os sindicatos ainda desempenham — ou deixaram de desempenhar?

Para responder a essas questões, nasceu o projeto ANR EXTRA, financiado no âmbito da chamada JCJC 2025 da ANR. Coordenado por Rémy Ponge, ele conta com o apoio do International Research Laboratory 2034 Mondes en transition (MeT), do CNRS e da Universidade de São Paulo. O projeto reúne uma equipe de 13 pesquisadores e pesquisadoras (sociólogos e cientistas políticos) na França e no Brasil. A metodologia baseia-se em observações e entrevistas repetidas com trabalhadores e trabalhadoras, além de sindicalistas (com um total de 180 entrevistas previstas) em três setores de atividade (transporte, energia e serviços sociais urbanos) nas cidades de São Paulo (Brasil) e Marseille (França). A escolha da comparação França-Brasil justifica-se pela experiência recente da extrema direita no poder no Brasil. Esse método comparativo permitirá compreender o efeito das configurações nacionais, socioeconômicas, sindicais e políticas.

Parceiros do projeto

  • O Laboratório de Economia e Sociologia do Trabalho (LEST – CNRS): Desde sua criação em 1969, o Laboratório de Economia e Sociologia do Trabalho analisa as mutações do trabalho e do emprego, combinando uma abordagem pluridisciplinar e de comparação internacional.
  • O Laboratório Interdisciplinar de Sociologia Econômica (LISE – CNRS): Fundado em 2004, o Laboratório para a Sociologia Econômica desenvolve pesquisas nos campos da sociologia do trabalho e da sociologia política, em uma perspectiva nacional e internacional.
  • O Departamento de Sociologia da Universidade de São Paulo (DS-USP): Fundado em 1987, no âmbito da universidade mais antiga do Brasil, o Departamento de Sociologia da USP é um centro de excelência em pesquisa e ensino, tanto na graduação quanto na pós-graduação.
  • O Departamento de Ciência Política da Universidade de Campinas desenvolve pesquisas de ponta em áreas consolidadas das ciências políticas, destacando-se no cenário nacional e internacional pela inovação em temas como trabalho, gênero, direito e relações internacionais.

Participação do IRL2034


O apoio proporcionado pela IRL2034 permite oferecer um suporte essencial (acolhida no local, espaço de trabalho, de reunião, material, organização de um seminário de acompanhamento do projeto, etc.) para os membros do projeto durante seus trabalhos de campo no Brasil, inclusive no contexto de missões de longa duração. A IRL constitui, além disso, um espaço de emulação científica que facilita o estabelecimento de parcerias e relações científicas com as universidades brasileiras, entre as quais, em primeiro lugar para este projeto, as universidades de São Paulo e de Campinas. Por fim, isso permitirá usufruir de excelentes condições de trabalho para conduzir esta pesquisa e estabelecer as bases indispensáveis para projetos de maior amplitude (ERC, H2020).